Porto 1 - Algarve 0
22/04/2012, 20:36
Foi a terceira noite a caminho do "Writers' Delight", o encontro internacional de graffiti que já tem data marcada para os dias 21, 22 e 23 de Setembro, no recinto exterior do Parque Mayer. Enquanto o esperamos, seguimos as noites organizadas pela Dedicated em Lisboa, sob o empenho de Ivan, que nesta terceira sessão reuniu no LX Factory as presenças de: DJ Nelassassin, Magistrado, participantes da competição Poesia Violenta, MLC Soundsystem e o writer Quê?.
O corredor ficou congestionado com alguns olhares curiosos a querer espreitar os primeiros traços da pintura de Quê?, a ganhar contornos sob a forte iluminação de um foco dourado. Na sala ao lado, a escuridão era quebrada pela projecção de imagens da revista Graffiti 360 e pelas luzes vermelhas a definirem o pequeno palco vazio, mesmo em frente à tribuna de som onde DJ Nelassassin fazia o arranque da noite.
Atraso no palco, justificado pela espera dos participantes do Algarve, que acabaram por não comparecer à final da competição "Poesia Violenta". Era suposto haver batalhas líricas entre elementos do Porto e Algarve, mas apenas a falange do Porto assumiu o encontro. Nada que estes jogadores de improviso não estejam habituados a contornar. Face ao imprevisto, as batalhas fizeram-se entre amigos. Rey comandou as operações e DJ Dezanove forneceu o transporte sonoro para as rimas. Na primeira ronda o espírito de ataque não foi combativo, e a chacota recaiu sobre a ausência algarvia, convertida em cobardia de um modo divertido. Mas o despique directo foi crescente até às meias finais, disputadas entre SG vs Mantorras e Bandulho vs Miguel. Enquanto o júri, composto por Sagaz, Chullage e Xeg, decidia os finalistas, o público sequioso por mais, solicitava microfone aberto. A vaga foi de imediato preenchida por Rey, a mostrar a razão do sucesso destas batalhas que começaram à luz da lua e depressa saltaram para um ringue de boxe. Aquilo que se faz por gosto alcança sempre bons resultados.
Seguiu-se a actuação de Magistrado, muito bem acompanhado no palco pela voz quente (e cheia de soul) de Sescon, com DJ Nelassassin a regressar aos pratos. E da "Poesia Violenta" viajámos para a "Poesia Underground", título da próxima mixtape de Magistrado, a sair muito em breve. Na bagagem traz também o álbum "Libertação Espiritual", de 2010, e a mais recente mixtape "Cassetes Perdidas". No palco das Writers Delight Nights mostrou uma presença muito segura, com faixas repletas de musicalidade, músicas que muitos ouviram pela primeira vez, mas ficaram certamente rendidos a um cartão de apresentação tão profissional.
De volta à competição, a final de "Poesia Violenta" foi disputada entre Mantorras e Miguel. Um combate de três rounds, com o público a solicitar um quarto confronto final. Destaque para os improvisos a ritmo acelerado de drum and bass, quase sem tempo para pensar, foi talvez o round mais surpreendente de todos.
Final com os participantes a saltar para o pequeno palco e a fazer ouvir o grito unido "Porto!". Aos olhos de quem viu parece que ganharam todos! Mas D-Mars fez a defesa de campo, ao mesmo tempo que assumiu os comandos de MLC Soundsystem, ao lado de Sagaz, impôs ordem na casa, "estamos em Lisboa, muito respeito!" E reconciliou o ambiente com a música e as palavras de Mundo, "eu sou um pouco de ti, tu és um pouco de mim, somos um pouco de todos que nos rodeiam..." A noite prosseguiu ao ritmo de Microlândia Soundsystem.
Texto:
Sofia Meireles
Fotografia:
Tiago Alves
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