"From the streets of Lisbon, Portugal, a legend was born..."
25/05/2010, 07:57
É com esta introdução que um dos nomes mais antigos do Hip Hop nacional volta a subir ao palco Sunset em mais uma edição do Rock in Rio. O relógio marca 18h15 em ponto quando Boss AC surge acompanhado do irmão TC. O primeiro, todo de branco, o segundo, todo de preto, em analogia ao seu último disco “Preto no Branco”, inauguram o palco com a faixa “Levanta-te (Stand Up)”.
A plateia compõe-se à medida que se vão aproximando as “princesas”, atraídas pelo hit do Verão de 2006. Entretanto o instrumental ganha nova vida com uma sonoridade semba e entra em cena o outro protagonista da tarde, Yuri da Cunha, guiando o público através de uma viagem pelos ritmos quentes de Angola.
Regressa ao mic o AC para continuar a festa com “Boa Vibe”, passando por “Anda Cá ao Papá” do clássico (mas menos conhecido do público) “Manda Chuva” e terminando com a faixa “Quieres Diñero”, cujo ritmo salsa proporciona a passagem musical para “Quero Saldo” e “Zig Zig” do enérgico Yuri da Cunha que põe a plateia a dançar.
Seguindo a viagem, AC atravessa o Atlântico e chama ao palco o brasileiro Toni Garrido para o ajudar a interpretar o tema “Rimas de Saudade”. De entre o público, erguem-se no ar as bandeiras de Angola e Brasil, símbolo da irmandade lusófona. Finalmente, o percurso musical estende-se à terra natal do host, o “Homem das Ilhas”, quando das colunas ecoa um funaná que leva o público ao rubro.
A intercalar os temas “Hip Hop (Sou Eu e És Tu)” e “Baza Baza”, surge do palco um apelo à celebração do amor entre todas as raças, nacionalidades e cores e os fãs respondem abraçando o seu próximo enquanto dançam ao som do tema “Kuma Kwa Kié” de Yuri da Cunha e sob o claim de que somos todos filhos do mesmo Deus.
E como não podia deixar de ser, no espírito que se respirava surge o reggae como banda sonora oficial da paz e do amor como pretexto para a apresentação da banda e despedir do povo que, apesar de pouco dinâmico ao longo do concerto, não falhou em mostrar no final que, como apregoado pelo AC, “o público em Portugal não brinca”.
Completa-se assim 1h30 de um concerto que, mais do que trazer algum Hip Hop ao melhor festival do mundo, foi um verdadeiro hino à lusofonia.
Texto:
Rute Silva
Fotografia:
Cátia Barbosa
H2T - www.h2tuga.net






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