Numa palavra: Pesado!
19/04/2010, 07:09
Numa palavra: Pesado! Provavelmente a melhor descrição do concerto que apadrinhou o regresso do lendário colectivo brasileiro a Portugal. Directamente de São Paulo a um dos spots da noite lisboeta, o Armazém F trouxe as ruas para o seu palco e em tons de verde e amarelo fez a festa. Com uma presença maioritária de conterrâneos e uns toques de multiculturalismo, Mano Brown e Ice Blue juntaram-se a Helião e DJ CIA de RZO, Du Bronks (Rosana Bronks), entre outros, e com o sabor “Racionais” mas sob o nome de código Big Ben Bang Johnson – novo projecto na cena rap brasileira - não desiludiram os centenas de fãs e mandaram a casa abaixo. Completamente cheia, por sinal.
Duas horas e meia iriam no entanto ditar o longo hiato até ao inicio da actuação. Pelo meio e depois de alguns problemas técnicos, a abrir a noite surgem em palco dois grupos convidados bastante modestos e que marcaram o momento "Don't quit your day job". De seguida toma conta dos pratos o DJ CIA, que em grande estilo fez um senhor warm up. Não se limitando simplesmente a passar som, brindou o público com Beat Juggling de alto nível, alternando grandes clássicos norte-americanos com club bangers da actualidade
Finalmente e em ambiente de apoteose fazem a sua entrada. Confiantes e preparados, street swagger no seu estado puro. Sempre em grande interacção com os miúdos da linha da frente, que sabem melhor as letras que os próprios. Só ali contavam com cinquenta back vocals ao seu dispor, fora de brincadeiras. Caem os beats e o público rocka forte a cada entrada. Clássicos como "Um por amor, dois por dinheiro", "Vida Loka" ou "Da Ponte para Cá" sucedem-se. Uma actuação sem mácula a evidenciar os muitos anos de estrada e palco. Entretanto o ambiente aquece.
No meio do público, a banda sonora da revolta social acompanha a explosão de cenas de pugilato. Vários rounds entre murros, sangue e suor, intercalados pela intervenção pronta da segurança privada e PSP. Lamentável, condenável, até um certo ponto expectável. Sim. Mas segue a festa, e porquê?
Porque um concerto deste calibre é uma experiência no mínimo única. Eles sabem o que fazem e nada é feito ao acaso. Sabem o que despertam nos fãs e têm a única, mas perigosa capacidade de os transformar. Na maior parte das vezes para o bem, mas em algumas situações e com outros factores na equação, para o mal (tal como aconteceu). Mais que isso: Rappers e público são uma só força. Por minutos são mais do que palavras cuspidas em beats duros. São a verdadeira face do street Rap, duro, sujo e real.
Texto:
Ivo Alves
Fotografia:
Cátia Barbosa
H2T - www.h2tuga.net






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