08/05/2011, 18:21
H2T - Qual a origem do teu nome “2-hands”?
2-Hands - Eu comecei pela vertente ilegal, então já tive vários tags. Já assinei Hands e, quando o nome começou a ficar muito popular, passei a assinar Go2. Depois veio o feeling de “2-Hands”, incentivado pelo pessoal e ficou por brincadeira. O nome pode ser interpretado de várias formas, mas um dos significados tem a ver com o acto colectivo, com o facto de poder criar algo em conjunto com outras pessoas.
H2T - Mas a verdade é que pintas com as duas mãos…
2-Hands - Sim e foi por verem isso que acabaram por dar o nome.
H2T - Como é que defines o teu trabalho?
2-Hands - Eu comecei muito naturalmente por fazer letras, depois as pessoas começaram a observar o trabalho e a comentar “são letras mas parece que tem algo mais, tipo um jacaré”, por exemplo. E eu comecei a brincar com isso e a acrescentar personagens de uma forma descontraída e espontânea. Não foi algo planeado, foi o contacto com as pessoas que modificou e conduziu o meu trabalho e o meu estilo. Eu, simplesmente, deixei fluir.
H2T - Quais os artistas com os quais evoluíste e já trabalhaste no teu trajecto?
2-Hands - Todo aquele que começa tem de ter referências de quem começou antes, como é óbvio, não se pode perder o rol da história. Eu não gosto de citar nomes porque são muitos e não iria ser justo deixar alguém de fora.
H2T - Tens formação artística?
2-Hands - Não tenho. Sou mesmo autodidacta, a minha única formação é a nível de troca de informação e prática. Eu considero-me um artista em evolução, estou em processo ainda a aprender continuamente com os outros.
H2T - Como é que surgiu a tua vinda para Portugal?
2-Hands - Vim a convite da associação Diálogo & Acção, para a qual também já fiz alguns trabalhos sociais no Brasil, há uns anos. Vim para participar no Meeting Of Styles em Chelas, no final do ano passado. Além de ajudar o projecto a chegar ao alcance de mais pessoas aqui em Portugal, a intenção é também trocar informação com outros writers e artistas de cultura diferente.
H2T - Como é que foi essa experiência do Meeting Of Styles?
2-Hands - Foram dois dias de pintura, troca de informação e convívio. Mas só o facto de estar com o pessoal aqui de Portugal já foi uma satisfação imensa.
H2T - Que artistas já conheceste em Portugal?
2-Hands - Não quero citar nomes porque posso esquecer de alguém, mas quero dizer que fico feliz pelo contacto e amizades que tenho feito aqui, as pessoas têm sido muito acolhedoras.
H2T - E antes de vires para Portugal, o que já conhecias de cá?
2-Hands - Na verdade eu conhecia poucos artistas de Portugal. Mas um dos nomes que se fala muito no Brasil é o Odeith. Conheci também o trabalho do Mr Dheo através da Bienal Internacional de Graffiti, o ano passado, em São Paulo. Muito interessante o trabalho dele. Mas eu fiquei encantado quando cheguei a Portugal e descobri que afinal há muito talento por aqui, não fazia ideia que o movimento era tão forte.
H2T - Que outros trabalhos já fizeste anteriormente, queres destacar algum?
2-Hands - Já fiz algumas mostras pequenas há cerca de um ano ou dois. Engraçado porque há um projecto que eu tenho lá em São Paulo que é parecido com a mostra que vou fazer aqui. Mas lá era uma mistura de galeria com espaço nocturno, onde expus mostra de gravuras, t-shirts e algumas coisas que eu faço além do graffiti.
H2T - Na exposição que apresentas no +Skillz, o que vamos poder ver?
2-Hands - Vou brincar um pouco com gravuras e ilustrações que eu faço e que no fundo também ajudam a evolução do meu traço no graffiti. A maioria das coisas é mesmo feita à mão (daí o título da exposição), tenho peças feitas em madeira e outros materiais menos convencionais como vinis ou livros antigos. Na estreia também vou pintar um pouco ao vivo, mas é claro que dentro de uma galeria não é graffiti, é só uma mostra de trabalho, o graffiti mesmo está na rua. Muitas pessoas vêm graffiti na rua mas não têm contacto com o artista, e há muitos artistas com talento que nem sequer se conhece a cara deles mas estão aí a representar na rua, a origem é mesmo essa. Esta exposição é uma forma de conhecer, trocar informação com as pessoas e interagir. Ter contacto com outras pessoas que trabalham com ilustração e outras áreas é muito importante para mim também.
H2T - Porquê pintar sobre livros antigos?
2-Hands - Acaba por ser uma alternativa à falta de acesso de material que temos no Brasil, é preciso reinventar. Mas a ideia surgiu porque eu frequento bastante sebos (não sei como chamam cá), são lugares onde vendem livros antigos e vinis. Nessas lojas o pessoal aproveita para ouvir discos, conversar, trocar ideias, o que também ajuda no processo de inspiração. Eu gosto de olhar para aquelas capas psicadélicas da década de 60, algumas são até polémicas, gosto de ver o lettering antigo das capas de soul e funk. Hoje em dia não tem nada a ver, as capas dos CDs são muito pequeninas, há muita informação, muita internet, as pessoas acabam por perder essas coisas. A verdade é que comprei alguns livros, lá são mesmo muito baratos, fui fazendo, já tenho alguns preenchidos mas não faço muitos. Sou capaz de fazer um por ano.
H2T - Quais são os teus planos e sonhos para o futuro, como artista?
2-Hands - Gostaria de manter o estilo de vida simples que eu tenho, poder estar em contacto com os amigos e família e pintar. O que importa mesmo é isso, não tem nada mais.
H2T – Props...
2-Hands - Um forte abraço para o pessoal da cena de Portugal em geral
Flickr 2-Hands: www.flickr.com/2-hands
Texto:
Sofia Meireles
H2T - www.h2tuga.net





