
29/04/2006, 00:00
G I Joe, DJ e produtor de Portimão, que se apresentou em Maio de 2005 com a mixtape "Música de Palavra", um trabalho que englobou e deu a conhecer muitos MCs de regiões mais a sul de Portugal. Foi esse o primeiro registo a solo deste jovem DJ, elemento do grupo DGPG (Dúvida Geradora de Pensamento Gerador) que, em paralelo com o início de uma carreira de arquitecto, se desdobra já por diversos projectos e colaborações bastante fortes a surgir muito em breve. É o nosso segundo convidado deste espaço onde se explora o amplo universo da Produção.
Construção de um Beat
Para falar algo sobre produção nesta secção, na minha posição de ligação directa ao DJing, começo por chamar a atenção da importância da relação DJ/produtor, que não é fundamental, embora seja a base da produção no hip-hop, como referido na secção deste tema do Rui Miguel Abreu. O DJ tem noções (ou deverá ter) acerca de tempo, ritmo, construção do beat que advém da experiência com a mistura e scratch, além disso o DJ possui a possibilidade de experimentar os sons que resultam melhor ao público, assim conseguindo retirar conclusões relativamente à forma de produzir.
Começo por explicar um pouco do meu método/material para produção visto esta questão ter muita influência na construção e no resultado final. Uso dois pratos, uma mesa de mistura, um computador com software para samplar (cortar um som pretendido, captado numa gravação directa do gira discos para o computador, para que este faça um loop correcto segundo a estrutura musical; este é o método base do "sampling"). Para este final pode usar-se software como o Sound Forge, em seguida podem ser usados vários métodos para a construção do beat, normalmente levo o sample já em loop, para o programa Recycle e corto o sample em várias partes para serem distribuídas pelas pads do MPC ou teclado ligados por midi ao computador. Para a selecção do loop é fundamental reconhecer uma repetição na música, ou seja uma altura em que só volte ao inicio da sequência musical, definir o compasso, de preferência, este, deve manter uma velocidade constante porque senão a montagem dos restantes elementos vai tornar-se muito complicada; para começar devem seleccionar-se loops (porções de música a repetir) curtos para haver menos margem de erro.
Em seguida no software Reason (por exemplo) sequencio o sample, ou seja "brinco" com as partes cortadas do sample, trocando a ordem original destas e repetindo por cima de uma batida que pré-defini que pode ser a definitiva ou apenas para auxílio nesta fase.
A parte de equalizar cada sample é fundamental, quase tanto como a própria escolha dos samples, o sample tem que soar bem para o que pretendemos, ter a força e clareza necessária. E a relação entre os vários samples usados tem de ser muito bem estudada e misturada de forma a se interligarem formando uma nova unidade, aí entra muitas vezes o ouvido treinado de DJ, que qualquer produtor acaba por desenvolver. Esta questão já implica o completar do sample com mais samples ou o tocar de instrumentos virtuais ou reais, de forma a completar o sample base ou mesmo os samples base, como o baixo, quase sempre utilizado para dar o groove pretendido ao beat. Esta adição de samples ou instrumentos por vezes não é necessária e pode ser prejudicial quando o sample já é "cheio" e completo.
Elementos base:
- batida (bombo, tarola, pratos)
- baixo
- sample
- partes tocadas virtualmente ou com instrumentos reais
- MC
Em seguida opto por sequenciar as partes que trabalhei anteriormente no software Ableton Live, por uma questão de conseguir dar uma maior dinâmica ao beat e boa qualidade sonora, trabalho as partes como samples pré-definidos, mas neste programa estou livre de os tratar de novo e voltar a sequenciar livremente fazendo as paragens, entradas, saídas do beat, alterações na sequência, até obter o resultado pretendido. Trata-se da minha técnica actual, existem milhares de possibilidades, o que importa é o sentimento.
Para falar algo sobre produção nesta secção, na minha posição de ligação directa ao DJing, começo por chamar a atenção da importância da relação DJ/produtor, que não é fundamental, embora seja a base da produção no hip-hop, como referido na secção deste tema do Rui Miguel Abreu. O DJ tem noções (ou deverá ter) acerca de tempo, ritmo, construção do beat que advém da experiência com a mistura e scratch, além disso o DJ possui a possibilidade de experimentar os sons que resultam melhor ao público, assim conseguindo retirar conclusões relativamente à forma de produzir.
Começo por explicar um pouco do meu método/material para produção visto esta questão ter muita influência na construção e no resultado final. Uso dois pratos, uma mesa de mistura, um computador com software para samplar (cortar um som pretendido, captado numa gravação directa do gira discos para o computador, para que este faça um loop correcto segundo a estrutura musical; este é o método base do "sampling"). Para este final pode usar-se software como o Sound Forge, em seguida podem ser usados vários métodos para a construção do beat, normalmente levo o sample já em loop, para o programa Recycle e corto o sample em várias partes para serem distribuídas pelas pads do MPC ou teclado ligados por midi ao computador. Para a selecção do loop é fundamental reconhecer uma repetição na música, ou seja uma altura em que só volte ao inicio da sequência musical, definir o compasso, de preferência, este, deve manter uma velocidade constante porque senão a montagem dos restantes elementos vai tornar-se muito complicada; para começar devem seleccionar-se loops (porções de música a repetir) curtos para haver menos margem de erro.
Em seguida no software Reason (por exemplo) sequencio o sample, ou seja "brinco" com as partes cortadas do sample, trocando a ordem original destas e repetindo por cima de uma batida que pré-defini que pode ser a definitiva ou apenas para auxílio nesta fase.
A parte de equalizar cada sample é fundamental, quase tanto como a própria escolha dos samples, o sample tem que soar bem para o que pretendemos, ter a força e clareza necessária. E a relação entre os vários samples usados tem de ser muito bem estudada e misturada de forma a se interligarem formando uma nova unidade, aí entra muitas vezes o ouvido treinado de DJ, que qualquer produtor acaba por desenvolver. Esta questão já implica o completar do sample com mais samples ou o tocar de instrumentos virtuais ou reais, de forma a completar o sample base ou mesmo os samples base, como o baixo, quase sempre utilizado para dar o groove pretendido ao beat. Esta adição de samples ou instrumentos por vezes não é necessária e pode ser prejudicial quando o sample já é "cheio" e completo.
Elementos base:
- batida (bombo, tarola, pratos)
- baixo
- sample
- partes tocadas virtualmente ou com instrumentos reais
- MC
Em seguida opto por sequenciar as partes que trabalhei anteriormente no software Ableton Live, por uma questão de conseguir dar uma maior dinâmica ao beat e boa qualidade sonora, trabalho as partes como samples pré-definidos, mas neste programa estou livre de os tratar de novo e voltar a sequenciar livremente fazendo as paragens, entradas, saídas do beat, alterações na sequência, até obter o resultado pretendido. Trata-se da minha técnica actual, existem milhares de possibilidades, o que importa é o sentimento.
Texto:
SickOnce (aka G.I. Joe)
H2T - www.h2tuga.net






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