Não é a primeira vez que MidGard e Cash produzem juntos nem o primeiro trabalho que submetem à opinião do público. Mas a sonoridade de Magic Vibes difere sem dúvida alguma dos trabalhos anteriores desta dupla algarvia.
Este não é o tipo de álbum de instrumentais que estamos habituados a ouvir. Embora o estilo não seja de modo algum comparável, a liberdade criativa que lhe está subjacente faz lembrar a de RJD2 – sai para a rua ainda a saber a laboratório e sem se deixar influenciar pela sonoridade característica das terras do sul.
Magic Vibes não é composto de faixas que variem muito do início ao fim. Por isso mesmo, é ainda mais intrigante sentir que os instrumentais estão compostos de uma maneira que não pede interlúdios nem grandes breaks, fluem naturalmente com a entrada e saída de pequenos sons ou vozes, sem haver uma quebra brusca ou um mudar de ambiente repentino.
Nenhuma faixa se pode catalogar como “Hip Hop” ou não-Hip Hop, mas as que mais se aproximam do estilo são talvez “Rain Smoke”, “Girls” (perfeita para a banda sonora do Grand Theft Auto), “Nuggets & Drugs” (que faz lembrar o estilo mais melancólico de Blockhead) e “Sixteen November”, esta última a base perfeita para qualquer indie rapper.
“All Night Long” e “Eat You In my Bed”, assim como “Romance”, são excelentes músicas de fundo para qualquer situação – para quando trazemos amigos a casa, para ouvir no carro ou para por a tocar para as chamadas em espera – sem dúvida melhor do que a voz robótica da operadora.
“MidNight Owl” não podia soar mais a outro. É uma despedida calma, lenta, que celebra o fim de um ciclo com a boa disposição de quem promete mais.
Mais e melhor.
Por Joana Nicolau para H2T - www.h2tuga.net |