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H2T - HipHop Tuga"A Música Que Não É Arte" de DJ Sims (Dezembro/2005)

'A Música Que Não É Arte'  Contra a ideia estabelecida de que o Hip Hop está centralizado nas principais cidades do país, surgem ecos da cidade alentejana de Évora sob a forma de uma mixtape. DJ Sims é o autor do projecto “A Música Que Não É Arte” que traz para o palco principal hiphopiano novos nomes e novos talentos, que por motivo de distância ou qualquer outro, se vêm excluídos dos projectos habituais.

  Este é um projecto extremamente bem equilibrado em termos de mcing. Ao contrário da maioria dos projectos mixtape, todos as participações têm uma boa noção de flow, de rima e de adaptação do anteriormente mencionado ao instrumental escolhido. A própria escolha dos beats reflecte um afastamento da mixtape clássica: DJ Sims e as suas participações procuraram instrumentais pelas terras do Hiphop independente, recusando as usuais escolhas do mainstream que se identificam à distância em quase todas as mixtapes. Entre os nomes escolhidos estão: Non-phixion, Dilated Peoples, Braintax, Looptroop, Necro, Copywrite, Immortal Technique.

  Esta mixtape tem ainda outra particularidade. Para além do cuidado na escolha dos instrumentais, somos ainda surpreendidos com a inclusão de músicas de Hiphop estrangeiro, nomeadamente: Apathy, Atmosphere, Perverted Monks, Murs, Promoe, que rematam o panorama que compõe o ambiente musical deste cd.

As participações dividem-se entre nomes mais e menos conhecidos, estando entre os primeiros VRZ, já com dois álbuns editados e Pródigo, com algumas participações noutros projectos, e entre os segundos Bugs Tha B, cujos ecos já remontam a alguns anos atrás, Badja, Santiago, JKR, Thorn e Bob.

 VRZ é uma presença constante ao longo de todo o álbum, o que lhe concede uma espécie de fio orientador e uma certa coerência. Podemos notar que mantém o seu estilo característico, mas consegue inovar e surpreender, evitando lugares-comuns e ideias pré-fabricadas. JKR é outro nome que merece destaque. Ao invés de ceder à mensagem habitual para o protótipo de wack, escreve uma crítica construtiva, que sem evitar dizer o que precisa de ser dito, consegue passar uma vibração positiva. Outro mc que salta à vista é Pródigo, cujo som denota uma evidente melhoria desde a sua participação na compilação Matarroêses. Deu um passo de gigante ao delinear o seu próprio estilo e a aposta na melhoria do skill e das rimas compensou. Bob, por seu lado, na sua parceria com VRZ na terceira faixa, consegue fazer uma das melhores músicas de “linhas de soco” da mixtape.

Em termos gerais, o tom desta compilação assenta na punch-line e no espírito de battle, onde a maior parte dos sons são bem sucedidos. Porém, também podemos encontrar mcs que põem a tónica numa sonoridade mais melódica e reflexiva, como Santiago ou VRZ, na música dedicada à memória de DJ Puto; outros preferem instruir os iniciantes desta cultura, como JKR, enquanto outros optam pela pura e simples paródia, como Bugs Tha B. Esta variedade contribui para um trabalho versátil e agradável de ouvir.

Por fim, DJ Sims não se confina ao papel de anfitrião e demonstra bem do que é capaz quer na intro e na outro (os tempos de antena clássicos para os DJs), quer nos vários skits/interlúdios ao longo da mixtape. A sua presença é notada também junto às vozes dos mcs, contribuindo com os pratos para incutir no som uma marca mais pessoal, que compensa o facto do instrumental não ser feito para uso exclusivo dos participantes.

Globalmente, estamos perante um trabalho já bastante maduro e que consegue o objectivo a que se propõe – apresentar o talento e potencial de uma zona, de forma credível e não efémera. É um trabalho que, sem sombra de dúvida, merece ser ouvido. A edição deste trabalho ficou a cargo da Sistema Intravenoso e DJ Sims recebe os merecidos parabéns por esta iniciativa.

  Por Joana Nicolau para H2T - www.h2tuga.net


Esta mixtape de hip-hop consegue juntar vários mc's com vários estilos e  feitios, não tendo distribuidora e não tendo muito apoio, consegue ser uma mixtape perfeita, consegue juntar mc's muito bons da zona de Évora, Malveira e Porto, mantendo sempre um nível muito acima da média.

A abrir o disco, temos grandes scratch's de Dj Sims, Dj Sims que em toda a mixtape nos dá a ouvir grandes beat's, grandes misturas, um "big up" para este grande Dj, uma revelação excelente para o pessoal que não está muito a par dos trabalhos da zona do Alentejo, em relação aos mc's, temos a voz de Santiago, mc feminina muito bem desenvolvida a todos os níveis, pessoalmente não esperava ver uma mcing nesta mix, mas está excelente, com estilo bem caracterizado, depois temos VRZ, talvez no recente álbum com Infamous desenvolva a sua voz de uma forma mais digna e agressiva, nesta mixtape com
um estilo bem diferente, o que mostra que em vários estilos consegue estar sempre a 100%. Avançando, temos Pródigo com um maravilhoso flow e grande vocabulário como nos tem mostrado, esta Mixtape Música que não é Arte Vol.1, a revelar que o hip-hop português está com grande força em Évora. Vindo da Malveira temos Bugs Tha B com um estilo manhoso um pouco fora dos estilos dos outros mc's mas com muita garra e força, apesar das rimas um pouco faceis. Bob, JKR & Thorn oferecem-nos rimas bem construtivas e com o skill bem
ao estilo de Évora, três mc's em plena energia. Com um estilo bem nortenho e obscuro temos Badja, com rimas fortes e agressivas apesar de um flow pouco morto, mas também com grande desempenho. A trabalhar muito bem com Dj Sims na faixa 22, temos Dj RNS (se não me engano também da zona do Alentejo), muito bem conseguida a mistura destes dois Dj's.

Descubram este disco e deliciem-se com o fabuloso skill de Dj Sims e dos Mc's que acompanham.

Por Paula Silva para H2T - www.h2tuga.net (participação do passatempo "2º Aniversário H2T")

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