Já que aqui no site não está crítica nenhuma à primeira versão deste álbum, vou fazer uma crítica esqueçendo a evolução de uma versão para a outra, como se a reedição fosse a primeira edição deste álbum.
O sucessor do "Rapresálias" aparece bem mais variado em termos de musicalidade, o Chullage aproveitou este álbum para mostrar toda a sua versatilidade em termos de flow, com fusões de rap com vários estilos musicais.
As letras são como o Chullage já nos habituou... Rimas que sonoramente rimam praticamente sempre na perfeição, sempre cheio de assunto e temas, com dicas bem fortes, e a rimar durante algum tempo na mesma terminação rimática. Continua um mc intervencionista embora pareça bem mais aliviado, o "Rapensar" acaba por ser menos agressivo nas críticas sociais, com ideais sociais cada vez mais bem definidos. Em termos de letras pode-se dizer que são todas bastante boas, pode-se realçar a "Kkkrime", "Fechar os olhos p'ra não ver", "Farto" (praticamente a sucessora do "Vida decorre" e "Ciclo infernal", uma música de revolta que já se torna típica no Chullage, como ele diz: "Abro fogo contra tudo o que se movimenta à minha volta") e a letra da "Nomenclatura" também está bastante boa tendo em conta a dificuldade de fazer uma letra com tanto sentido e com a nomenclatura toda do pessoal mais conhecido do hip-hop tuga, fazendo uma homenagem a todo o seu people "por sentir o hip-hop".
Nas produções, desta vez o Chullage contou com muitas participações no seu álbum: Sas; Simplis; Jhaid, Bambino; J'verbal'D; Kronic; Link; Sam The Kid; TNT; J-Cap e P.Tomás. A produção do álbum acaba por ser muito interessante por ter tantos estilos distintos, além disso sempre que o instrumental era repetitivo o refrão acabava sempre por acrescentar a musicalidade que lhe faltava, e a versatilidade do flow do Chullage não deixa nenhum beat ser repetitivo... Os instrumentais que mais me encheram o ouvido foram: Jhaid - "Violência", Kronic - "Kkkrime", TNT - "Farto", Sas - "National Guettographik" e P.Tomás - "Ignorância XL".
O som "Violência", é um som a ter muito em conta, tanto o Real D como os dois elementos dos THC (Psy-k e Jhaid) mostraram ter muito talento. Apesar dos THC (antigos Ghetto Bastards) já terem vindo a ganhar nome, neste som provaram mesmo o seu enorme valor.
Além das 25 músicas o álbum ainda tráz dois video-clips, o "National Guettographik" que, como o nome indica, é uma autêntica reportagem, enquanto o "Ignorância XL" é um clip bem rápido ao ritmo daquela fusão de rap com drum n bass sem uma única paragem para pensar, representando a Ignorância XL.
Por Ivo Fernandes para H2T - www.h2tuga.net (participação do passatempo "2º Aniversário H2T") |