“Finalmente” é um título bastante sucinto e expressivo para o primeiro trabalho desta dupla. Telma (ex-Backwords) e Geny (ex-UB Squad) criaram as Lweji em 2002 para, desde então, espalharem em talento e força a dedicação a esta cultura, aumentando assim as expectativas para este recente álbum. No entanto, no passado deste grupo, para além de todo o trabalho conjunto que realizaram (principalmente em algumas actuações), as participações isoladas de Telma ou Geny em vários álbums foi o mais habitual, fazendo assim destacar as qualidades de Telma enquanto MC e Geny como uma fascinante soul singer (pois foi maioritariamente convidada a participar em refrões).
Em “Finalmente” as capacidades estão expostas de forma bem mais completa e a maior surpresa surge mesmo para quem só conhecia a Geny pela sua voz doce e sedutora na harmonia do soul, revelando-se agora também como uma fantástica MC. A junção de duas vozes bastante graves e similares, sempre preenchidas por um refrão contangiante, deixam-nos totalmente envolvidos nos ambientes de cada tema. Catorze faixas recheadas de conteúdo, desde saudade, inocência, falsidade, decepção, ou mesmo outros mais pesados como o ódio, revolta, gravidez inesperada, violação, etc... tudo numa base de positivismo e boas vibrações, como é bem explicito no tema “Não se Passa Nada”, onde dizem: “...Hoje dá-te tudo, amanhã tira-te tudo, contudo manténs-te firme, manténs-te acima do sublime. O complicado é ignorar a azarada maré, mas eu confio, sinto o suor frio no teu esforço, meu filho vai vivendo alegremente enquanto a derrota se despe e dança provocantemente. Tu negas dizendo Não se Passa Nada, é tudo so good to me e tu para mim não tens pedalada.”
Entre as participações deste álbum, encontram-se várias vozes femininas, como Cat, Kaya, Lady Angie e Barbie e também as excelentes produções de Kev, Scotch, Plaster e J’Verbal’D. O scratch por seu lado ficou a cargo do mestre dos pratos DJ NelAssassin. “Finalmente” é mais uma aposta da Dreamflow records, desta vez em feminino, bem representado pelas Lweji que já há muito mereciam este crédito de confiança e a devida exposição a um mercado Hip Hop maioritariamente masculino, que apenas em 97 viu com maior projecção ser editado o percursor “Abram Espaço” das já extintas Djamal.
Lweji traduz-se também na união de duas nacionalidades (a timorense Geny e a angolana Telma), um encontro de culturas a resultar nesta dupla bem consistente que veio enriquecer e trazer variedade ao Hip Hop Nacional. Sem dúvida um álbum que merece toda a nossa atenção.
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e HipHop Nation |