Aí está a semente que mais tempo demorou a germinar e que toda a gente estava à espera que a Matarroa lançasse: "Funk Matarroês", segundo álbum de originais dos MatoZoo. Do "Funk Matarroês" a primeira evidência que se retira é que Fidbek se adapta que nem uma luva e que veio imprimir um outro estilo ao colectivo, agora órfão do Chemega que decidiu pendurar o mic. O segundo ponto a merecer destaque é a excelente produção do Kiko, que nos consegue levar a viajar por vários ambientes, desde os mais melancólicos, como se pode verificar no som “Para a semente”, até aos mais festivos, como nos “Funks”. É preciso também realçar que enquanto vamos percorrendo as músicas do cd encravamos na produção de “O que foi, foi”, da autoria do Newmax, presença já habitual nas edições da Matarroa, e que estão umbilicalmente ligadas á palavra Qualidade (este também participa no refrão da musica “Para a semente”). Quem faz concorrência em termos de brilhantismo é o Dj/Mc Bezegol que volta a confirmar que a sua vertente ragga ainda vai dar muito que falar.
Dos membros fundadores o que se esperava foi confirmado; um misto de dureza, ironia e inteligência. Nem sempre optam pelo estilo de rima mais evidente, o que sem dúvida cria um impacto bastante mais forte, vincando ainda mais o auto-intitulado “estilo mais ao lado”. O impacto provocado vai aumentando o nível de expectativas ao longo do CD, o que por vezes pode provocar uma certa desilusão ao ouvi-los a focarem assuntos tão banais como n´”A fórmula”. Diga-se também que ao chegar ao fim do álbum ficamos com um pensamento: Queremos mais “Cancelem o apocalipse”´s!
Quanto às participações, Paulo Leitão e Stray demonstram todo o seu potencial na “Combate com mortais”, é pena que não tenham conseguido manter o grau de qualidade em todas as suas participações, mas de certeza que este Cd servirá para abrir o apetite para os seus próximos trabalhos. No som referido na frase anterior estão também presentes os convidados Adamastor, Xeg, VRZ e Fuse, sendo que Xeg e Fuse confirmaram a sua mestria em batalhas de rimas.
Resumindo, este Cd obriga-nos a pensar, a soltar uma gargalhada e a dançar. Será que é preciso mais?
Por Diogo Pimentel para H2T - www.h2tuga.net |