Um pouco à imagem da ideia introdutória que NelAssassin imprime na primeira faixa deste seu álbum – “Muita gente me conhece e finge que não, deve ser por ser tão underground” – eu diria mesmo que o seu nome dispensa qualquer introdução por demais. Dizer que, já na época “Rapública” merecia destaque na formação dos Zona Dread, ou simplesmente mencioná-lo como o elemento mestre nos pratos, dos Micro, é algo que todos já tinham percebido numa associação rápida a DJ Assassino. NelAssassin, é o nome que adopta para trabalhos freelancer, à margem do grupo.
D-Mars já tinha aparecido com o seu álbum a solo “Filho da Selva” e é agora, numa altura em que também Sagas deve andar a ultimar o seu trabalho paralelo, que, por coincidência ou não, Assassino lança no mercado “Time Code”. Um excelente CD em formato compilação, bastante completo, com diversos convidados (microlandeses na grande maioria) que navegam por distintos ambientes bem construídos e sempre valorizados pela magia do scratch. Onze faixas que nos proporcionam um pouco de tudo, tristezas, alegrias, descontentamentos ou até algumas euforias mais festivas e dançavéis.
A grande surpresa do álbum vai sem dúvida para os dotes vocais que NelAssassin demonstra tanto na introdução, como no tema “Desculpa”, apesar de serem participações bastante curtas, não deixa de demonstrar um bom flow, rouco e bastante admirável.
O tema de apresentação do CD é “O Ideal”, com dois ilústres estilos inconfundíveis do panorama nacional: o irrepreensível Sam The Kid a cargo de todas as rimas e a sublime voz e interpretação de Sagas a dar vida no refrão – uma excelente e viciante música, sem dúvida. A exposição dos dotes familiares em união é algo que também tem espaço neste álbum, os irmãos de NelAssassin – Tony e Nelo – e o primo – Sagas, interpretam “It’s a Complow”, um tema bastante cativante com fortes essências africanas, um rap mais cantado sobre o calor de uma batida raggae.
A segunda surpresa do álbum, vem com a revelação de um grupo de Oeiras – 10A. Partilham a mesma localidade (Palmeiras) que Ofício e, pareceu-me encontrar algumas semelhanças também no estilo de música e modo de cantar. Deixam bons apontamentos, tanto no tema conjunto com os Ofício – “5 Rapazes” – como no tema – “Fudido...” – que ficou a cargo apenas dos dois elementos, Buda e Decim.
A elaboração de destaques entre os temas ou convidados existentes no CD torna-se bastante difícil (e até injusto). Para além da participação nortenha dos emblemáticos Dealema e do tema mais dançavél “Desculpa” (com a participação de NelAssassin, Tranquilo, Demo e da suave voz feminina a cargo de Rita), também D-Mars, Sagas, Dourado e Ridículo assinam faixas próprias neste álbum.
“Time Code” surge-nos em edição caseira, gravado por NelAssassin nos Ruff Estúdios e editado com o vinco de TouchMusic, uma organizadora de eventos transformada agora também em editora independente.
No que toca ao aspecto gráfico deste álbum, Buda (dos 10A) apresentou-nos um óptimo trabalho, com um apetecível e muito bem realizado design.
No geral, “Time Code” é um CD viciante, com produções de grande relevo e com importante destaque para a arte de scracthing.
Em jeito de desfecho, fica aquilo que poderia ser uma apreciação a este CD, mas é apenas o refrão com que os próprios Dealema fecham a última música do CD: “33-45, alta rotação, DJ Assassino, mais uma vez a mover todo o perímetro, num corte preciso feito ao centimetro”.
Por Rui Meireles para H2T - www.h2tuga.net e HipHop Nation |