Esta compilação assinala a passagem de uma década sobre o despertar e os primeiros passos do hip-hop em Portugal. Dez anos de história, construídos com persistência e dedicação infinita, por cada MC, DJ, B-boy ou Writer que se movimenta em nome do hip-hop nacional.
São 10 anos em 17 faixas: Onde se relembram temas da era “Rapública”, como o (mais que) conhecido “Nadar” dos Black Company ou o sereno “Hip-Hop está no ar” dos Family. Outros igualmente saudosos como o envolvente “Black Magic Woman” de General D, ou o enérgico “Sttop” dos Líderes da Nova Mensagem, a remix (Mind da Gap) de “Meu Amigo” dos Cool Hipnoise, ou o nostálgico “Velhos Tempos” de Boss AC. Um pouco mais rodados, surgem temas como “Todagente” dos aventureiros Da Weasel, ou “Todos Gordos” com as batidas contagiantes dos Mind da Gap. Atravessa também a fase mais activa das edições independentes, em temas como “Não Percebes” de Sam The Kid, “Nossos tempos” de Valete, ou “Mulher da minha vida” de Chullage. Mais recentes e retirado já de uma das novas editoras dedicadas ao hip-hop nacional, aparece ”Respeito” dos Micro e “Prémio Nobel” de Fuse. Por fim, em jeito de antevisão a próximos lançamentos, ficam os singles “Só posso ser eu” de Ace, “A cena toda” de Dealema, “Isto é Perigo” de D-Mars, e “Sei lá” dos Mundo Complexo (apesar de “Sei Lá” pertencer apenas à colectânea “Pop Up Songs - Optimus 2002”, não deixa de ser um aviso à eminente chegada de “Acredites Ou Não”, álbum de estreia dos Mundo Complexo).
“Nação Hip Hop” não só traz de volta o passado, do mais remoto ao mais recente, como espreita já sobre um próximo amanhã. É uma autêntica “colecção de polaroids sonoras”, em celebração de 10 anos de hip-hop em Portugal e do início de uma nova realidade, tal como escreve Rui Miguel Abreu (da Loop Recordings) no texto em anexo. Porque o hip-hop português está em fase crescente, o esforço dos resistentes começa a ser compensado, há muitos jovens a querer pegar no testemunho desta arte, muita expectativa no ar... Mas para conseguir um futuro sólido é importante conhecer e respeitar o passado, impresso (por exemplo) em alguns dos álbuns aqui relembrados, álbuns já demasiado distantes, ou mesmo desconhecidos a esta nova geração.
Melhor do que saber que em 2003 foi possível organizar uma compilação como esta, é olhar para o seio do movimento e constatar que muitos outros nomes poderiam igualmente já estar aqui presentes.
Por Sofia Meireles para H2T - www.h2tuga.net e revista "Raio X" |